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11/07/2021 11:47

'Sonho com ela de olhos abertos', diz mãe 1 ano após morte de Isabele; veja vídeo

Vitória Lopes -GD

vitoria@gazetadigital.com.br

Naquele 12 de julho, Patrícia Guimarães Ramos seguiu o ritual da sua família e acordou tarde no domingo. Lá pelas 13h, sua filha, Isabele, também despertou. Por mais tarde que levantasse, a adolescente de 14 anos nunca pulava o café da manhã. Por isso, Patrícia preparou a comida para a filha. Horas depois, pediu para ir a casa da vizinha, no mesmo condomínio em que moravam, onde passaria o resto da tarde e faria uma torta de limão.

Patrícia consentiu, já que Isabele costumava frequentar a casa da família Cestari. Um ano depois, Isabele nunca mais voltou para casa.

 

Enquanto tomava um café, Patrícia contou ao  como ela e o filho mais novo, Pedro, lidam com a falta de Isabele, um ano a morte na casa da família Cestari. A adolescente levou um tiro no nariz, disparado pela amiga da mesma idade.

 

Um ano, para quem vê de fora, é muito diferente para quem precisa lidar com o luto - ainda mais de um filho.

 

 

"A gente carrega todo dia a dor, a tristeza, o vazio da ausência dela, então hoje a gente vive assim, né? Se esforçando muito pra cada dia ser melhor. Mas tem dias que é fatídico. A gente chora, a gente sente. É uma dor de um tamanho, uma magnitude, assim, nem tem como descrever, é uma dor assim mesmo na alma", detalha.

 

Durante este ano, a empresária afirma que não sonhou com Isabele, porque, na prática, está vivendo "de olhos abertos".

"Tenho sonhado de olhos abertos, porque o que eu posso não ter sonhado enquanto eu dormia, mas eu tive que administrar todos os sonhos que eu tinha pra ela", conta.

 

 

Com a perda precoce, Patrícia também deixou de acompanhar o crescimento da filha. "Estou tendo que administrar toda a saudade que eu tenho dela, todas as lembranças que eu tenho dela. Lembranças que uma mãe carrega desde o ventre. Ela pequenininha, quando ela começou a andar, da primeira vez quando ela foi na escola, então pra uma mãe é muito difícil isso", lembra.

 

Ela gostava de desenhar, mas conforme foi crescendo, pensava em cursar Medicina, seguindo a carreira do pai. O neurocirurgião Jony Soares Ramos faleceu em 2018, em um acidente na MT-251, Estrada de Chapada dos Guimarães.

 

 

"Ela era muito curiosa. Era uma menina genial, muito inteligente, ela tinha facilidade pra línguas e uma coisa eu não tinha dúvidas, é que ela ia ser o que ela quisesse", afirma.

 

Hoje, Patrícia abriu uma academia para prática de bicicleta. Ela conta que o trabalho ajuda a ocupar a cabeça, mas queria que a filha pudesse ver a inauguração da Velocity.

 

Agora com Pedro, que tem uma diferença de idade de apenas 2 anos com Isabele, Patrícia tenta se manter mais presente.

 

 

"A nossa relação ficou muito fragilizada. O Pedro sente muita falta. Ficamos tentando administrar esse vazio que ficou, no nosso dia a dia, nos nossos fins de semana. Eu tenho procurado ser paciente, me dar mais presente na vida dele".

 

Eles retornaram para a casa em que moravam, que estava passando por reforma. Inclusive, o quarto de Bele, como era carinhosamente chamada, foi mantido, do jeito que ela gostaria.

 

"O jeito que ela tinha escolhido, o papel de parede, o espelho... Em parte eu acho que eu devia isso a ela, né? Era um sonho que ela tinha, ela tinha combinado que queria ganhar de aniversário", conta.

 

O processo

A juíza Cristiane Padim, da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude, determinou que a menor infratora com a lei, que atirou e matou Isabele Guimarães Ramos, possa ter a medida socioeducativa revista a cada 6 meses.

 

 

Internada na ala feminina do Complexo Pomeri desde janeiro, a medida pode ser reavaliada no mesmo mês em que a morte de Isabele completa um ano.

 

Patrícia, por sua vez, teme que a menor possa sair do Pomeri, visto que a defesa da família Cestari continua pedindo diversos habeas corpus.

 

"Foi provado com todo trabalho da polícia, perícia e médico que houve uma motivação, houve uma intenção de matar, o que deixa a gente surpreso, né, em como uma família, tem a capacidade de cobrir um crime dessa natureza".

 


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