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01/04/2021 15:30

Uma nova geração no coração do poder em Cuba

A maioria dos membros que integrarão o novo Bureau Político do Partido Comunista de Cuba em meados de abril carece da aura heroica que envolve os revolucionários históricos, mas têm a missão de seguir o caminho traçado por Fidel e Raúl Castro. 

O oitavo congresso do Partido Comunista (PCC, único), que se realizará entre os dias 16 e 19 de abril, elegerá os 17 homens e mulheres que farão parte do novo Bureau Político, órgão máximo do Comitê Central do partido. 

Nele reside o centro do poder do partido e da força política que dirige o país, de acordo com a Constituição. 

 

A anunciada aposentadoria de Raúl Castro, aos 89 anos, deixa vaga a liderança do PCC como primeiro-secretário do partido. Sua saída deve ser seguida por outros dois membros históricos do núcleo duro da Revolução: José Ramón Machado Ventura (90), número dois do PCC, e Comandante Ramiro Valdés (88). 

Prevê-se que o atual presidente da República, Miguel Díaz-Canel (60), assuma o cargo de primeiro-secretário do PCC e assuma as rédeas do poder absoluto do país, como fizeram Fidel (1926-2016) e Raúl Castro em sua época. 

- Não lutaram na Sierra Maestra -

Os homens-chave em seu entorno não lutaram na Sierra Maestra e nasceram depois do triunfo da revolução em 1959. 

Embora se espere que três figuras históricas que então eram adolescentes continuem neste grupo: os generais Leopoldo Cintra Frías (79), Ramón Espinosa (83) e Álvaro López Miera (77), Ministro, Vice-Ministro e Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, respectivamente.

Os cargos e setores mais importantes da sociedade devem estar representados no Bureau Político e, embora nos últimos anos se tenha buscado o equilíbrio racial e de gênero, a eleição também é determinada pela situação do país. 

É por isso que a entrada de outro general, Lázaro Álvarez Casas (57), recém-nomeado ministro do Interior, é prevista em um momento em que alguns protestos estouraram na cena pública. 

O grande enigma do momento é quem pode substituir Machado Ventura como segundo secretário do PCC, cargo que acaba por ser uma espécie de chefe do Estado-Maior do partido, com capacidade de vetar dirigentes e quadros do PCC e das principais instituições estaduais.

No meio de uma reforma acelerada e de uma forte crise econômica, parece assegurada a entrada do primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz (57), que fez carreira empresarial nas Forças Armadas e hoje conta com um apoio evidente do generalato.

Também o atual vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Alejandro Gil Fernández (60), cuja entrada poderia limitar a autoridade de Marino Murillo (60), responsável pela implementação das reformas, alvo de inúmeras críticas populares, pela atual reforma monetária.

Devido às suas responsabilidades, o Chanceler Bruno Rodríguez (63), o Presidente do Parlamento Esteban Lazo (76) devem permanecer; o secretário da Central de Trabalhadores (CTC, única) Ulises Guilarte (56); a secretária da Federação das Mulheres, Teresa Amarelle (56) e o ex-ministro da Saúde, Roberto Morales (53), atual vice-primeiro-ministro. 

A biotecnologia, de papel fundamental diante do enfrentamento da pandemia e importante fonte de renda, é representada pela cientista Marta Ayala (54). 

Essa área poderia ser reforçada com Vicente Vérez (67), diretor do Instituto Finlay de Vacinas, responsável pela criação de duas das quatro vacinas candidatas contra covid-19  de Cuba. 

Por causa da importância de Havana para a vida nacional, seu primeiro secretário do PCC, Luis Antonio Torres Iribar (55), também poderia fazer parte da equipe. 

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